
Selic a 15%, motivos e impactos no crédito imobiliário.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, segundo anúncio feito nesta quarta-feira (17), mesmo com a revisão para baixo das projeções de inflação do mercado financeiro. A decisão mantém os juros brasileiros no maior patamar em duas décadas e gera impactos diretos no setor imobiliário.
A manutenção da SELIC foi motivada pelas preocupações com a inflação de serviços, que acumula alta de 6,17% em 12 meses, bem acima da meta oficial de 3%. Segundo o Banco Central, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta.
Na verdade o que o Banco Central quer ver é uma desaceleração do mercado de trabalho antes de iniciar um ciclo de queda da taxa básica de juros. Com a taxa de desemprego em mínima histórica de 5,6% e um mercado de trabalho aquecido, a inflação de serviços continua sendo pressionada, o que ainda é um ponto de atenção para a política monetária.
Impactos diretos da Selic no crédito habitacional
A Selic elevada repassa custos diretamente aos financiamentos imobiliários.
Os financiamentos pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), como no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), são menos afetados, já que as taxas e subsídios são determinados previamente pelo governo. Porém, no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), o impacto é maior, pois utiliza recursos livres que ficam mais caros com a Selic elevada.
Com o crédito mais caro, as parcelas ficam mais pesadas. Já em um cenário de queda de juros, as prestações tendem a diminuir, o que pode aquecer o mercado imobiliário ao estimular a demanda e impulsionar a valorização dos imóveis residenciais.
Para financiamentos de imóveis na planta, o peso da Selic fica evidente na assinatura do contrato, já que a taxa praticada será a vigente na entrega das chaves.
A Selic elevada também pressiona o saldo devedor durante a obra, corrigido por índices como o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção). Indiretamente, pode afetar aluguéis pela lei da oferta e demanda, com mais pessoas aguardando queda dos juros para financiar.










